Em meio a pandemia do coronavírus, o distanciamento social tem sido uma das principais ferramentas para evitar a disseminação da doença. No entanto, no momento em que uma mulher dá à luz, o contato físico é essencial, e se torna ainda mais necessário na realização de um “parto humanizado”, quando a equipe médica e de enfermagem proporciona o acolhimento para a mãe e o bebê.
Jessika Nauama Silva, de 26 anos, teve o segundo filho no final de abril em Porto Velho e conta que a felicidade de conhecer o bebê Théo se misturou a ansiedade devido a crise sanitária enfrentada em todo o mundo.
Todo o processo para a chegada de Théo, que durou cerca de 2 horas, foi realizado por uma equipe da Maternidade Municipal Mãe Esperança.
Grupo de risco
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Jéssika diz que quando o governo de Rondônia decretou estado emergência teve um ‘mix’ de sentimentos, pois automaticamente, estaria em um ambiente desconhecido — Foto: Jessika Nauama Silva/arquivo pessoal
Com a pandemia, Jessika conta que teve muita ansiedade por estar gestante, fazer parte do grupo de risco e por causa da velocidade com que a doença se espalhou pelo mundo e chegou a Rondônia. Ela conta que foi preciso se adaptar e reorganizar o plano que havia feito com a nova realidade.
“Estando no grupo de risco, a ansiedade veio como as dores de parto. Incertezas e medos vinham em relação ao parto, foi um ‘mix’ de sentimentos, pois eu estaria em um ambiente desconhecido, sem a minha rede de apoio, em um lugar que poderia ter casos, já que não sabemos quem tem e não a doença”, conta Jéssika, que também diz que foi preciso dispensar todo tipo de visita ao bebê.
Parto humanizado
Apesar do medo que enfrentou, as horas que precisou esperar o momento do filho nascer, segundo Jessika, não se comparam ao tê-lo nos braços.
“Ao chegar na maternidade fui recebida por uma equipe humana, uma enfermeira que me deu apoio do início ao fim. Apesar das dores, o parto foi nosso, meu esposo e eu, sem nenhum tipo de intervenção. Fomos bem assistidos a todo momento. Ver meu filho saudável me deixou feliz, valeu tudo o que passei “.
Jessika, explica, que emocionalmente, poder esperar o momento do Theo para nascer foi fundamental.
“Eu fiz meu próprio parto. Não teve nenhum tipo de intervenção, sem remédios, sem manobras, sem episiotomia, que é o corte. Planejei tudo para ser dessa forma. Meu parto foi auxiliado pelo Thiago [esposo] e uma enfermeira”.
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A mamãe de segunda viagem conta que no parto da primogênita, Manuela, teve a intervenção mecânica, e que por isso a recuperação física e emocional foi mais demorada.
“Foi uma cesárea eletiva. Eu escolhi a data e não esperei o tempo dela. Foi bem traumático. É uma recuperação horrível”, diz.
Equipe humana
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Placenta vira arte e o registro fica para mamãe levar para casa — Foto: Jessika Nauama Silva/arquivo pessoal
O parto da Jessika foi acompanhado por duas enfermeiras. Uma delas, Suzana Ribeiro, explica que o parto humanizado tem como principal missão estabelecer um vínculo de confiança, empatia, segurança com a mãe. Antes do coronavírus, havia uma liberdade maior na ação, como poder ficar do lado da gestante, segurando na mão, verificando os batimentos do bebê, avaliando sua evolução, respirando junto e até ajudando nos exercícios de força.
No entanto, conta a enfermeira obstetra que, com a pandemia do novo coronavírus, o protocolo de ação da equipe na hora do parto humanizado precisou ser alterado.
“Agora por precaução ficamos ao lado das parturientes apenas o tempo necessário, para realizar os cuidados e as avaliações. O uso de máscara é obrigatório para todos. Equipe de saúde, gestantes e acompanhantes. Elas se incomodam bastante pois não estão habituadas a fazer o uso da máscara, e como a respiração é uma das técnicas mais utilizadas, elas se sentem bastante desconfortáveis. Toda paciente com sintomas respiratórios é referenciada para outro hospital. Caso este encaminhamento não seja possível, temos um protocolo a seguir na hora do parto e pós-parto imediato”, explica.
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No parto humanizado, tudo é feito no tempo natural da mulher e do bebê — Foto: Marithê Lopes/Arquivo Pessoal
Outra característica apontada pela enfermeira obstetra é a presença dos métodos não farmacológicos para o alívio da dor, como a bola, caminhada, técnica de respiração, massagem de conforto, agachamentos, banho morno, promovendo segurança e conforto à parturiente.
O acompanhante é de escolha da gestante. Ele participa ativamente de todo o processo. Tais recursos não só auxiliam no alívio da dor como também ajuda na evolução do trabalho de parto. Ainda de acordo com a Suzana, o parto humanizado respeita ao máximo a fisiologia da mulher.
“O corpo sabe o que fazer. Como enfermeiras obstétricas, estamos ali para apoiá-la, encorajá-la, monitorar a saúde materno-fetal de forma contínua, garantindo segurança e tranquilidade. O parto é dela, então agimos de modo que ela possa protagonizar este momento que é único na vida dessa família”, finaliza.
Manuela, ao lado do Théo, é a primeira filha de Jessika — Foto: Jessika Nauama Silva/ arquivo pessoal
Fonte: G1/RO






























































