Calma! O título só foi uma forma de chamar sua atenção para uma temática importante na sociedade, especificamente no que concerne à educação. Sou professor e é comum ouvir que a escola é a responsável pela educação das crianças, enquanto a família deve apenas “acompanhar” esse processo. No entanto, essa visão reducionista ignora um ponto importante: a educação começa e deveria continuar em casa. A participação da família, especialmente dos pais ou responsáveis, não é um detalhe; é uma peça-chave no processo de ensino-aprendizagem (ainda acredito ser a mais importante). E quando essa engrenagem falha, todo o sistema sente os efeitos.
Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade que terceiriza responsabilidades (infelizmente é uma realidade em Jaru). Muitos pais depositam na escola a expectativa de formar cidadãos éticos, responsáveis, respeitosos e preparados para o mundo, esquecendo que esses valores são, antes de tudo, aprendidos nas relações familiares cotidianas. O comportamento em sala de aula, o comprometimento com as tarefas, o respeito aos professores e colegas, tudo isso está diretamente ligado ao que é cultivado dentro de casa (acredita que tenho que ensinar vossos filhos a bater na porta e pedir permissão para entrar em sala de aula?, claro que não devemos generalizar).
Estudos na área da educação reforçam que alunos cujos pais participam ativamente da vida escolar apresentam melhor desempenho acadêmico, maior autoestima e menor evasão escolar (difícil acreditar que precisamos de um programa chamado Pé-de-meia para tentar manter a criança no ambiente escolar). O apoio familiar não precisa, necessariamente, se traduzir em domínio dos conteúdos escolares, mas sim em diálogo, incentivo, acompanhamento, valorização da educação e do esforço pessoal da criança.
O problema é que muitos responsáveis confundem apoio com cobrança excessiva ou, ao contrário, com total omissão. Há os que pressionam os filhos por resultados, mas nunca participam de uma reunião escolar. E há os que sequer sabem o nome da professora ou em que série o filho está. Em ambos os casos, o distanciamento é evidente — e prejudicial. Há até quem considere seus filhos o “alecrim dourado” e os mime tanto que acaba prejudicando o processo de ensino-aprendizagem.
A escola, por mais empenhada que seja, não consegue e nem deve assumir o papel da família. Professores são educadores, sim, mas não substituem o afeto, os limites, os exemplos e os princípios que devem vir do núcleo familiar. Quando escola e família caminham juntas, o resultado é um aluno mais seguro, motivado e preparado para os desafios da aprendizagem e da vida.
Portanto, é urgente resgatar essa parceria essencial. Os pais não são meros coadjuvantes no processo educacional: são protagonistas. Negligenciar esse papel é comprometer o futuro de nossos filhos e, por consequência, o futuro da sociedade.
Por: Professor Mestre Kleyton Coelho Castro
Cientista Social, Historiador
Doutorando em Educação






























































