Um levantamento realizado a partir das bases oficiais do Governo Federal revelou um dado inédito para a economia de Rondônia e para o município de Jaru.
Após um estudo baseado exclusivamente nas estatísticas oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio do sistema COMEX Stat, foi identificado que Jaru concentrou, no primeiro semestre de 2026, todo o volume exportado por Rondônia da NCM 0801.22.00, classificação fiscal correspondente à Castanha-do-Brasil sem casca, produto industrializado e de maior valor agregado da cadeia produtiva.
Os números oficiais mostram que Rondônia exportou, entre janeiro e junho de 2026: 187.000 kg de Castanha-do-Brasil sem casca; US$ 2.365.998 FOB em vendas internacionais. Ao cruzar esses dados com a base oficial de exportações por município do próprio MDIC, verificou-se que Jaru apresenta exatamente os mesmos volumes e valores registrados para todo o Estado de Rondônia, evidenciando o protagonismo do município na exportação desse produto.
Mais do que exportar, agregar valor à Amazônia
O resultado chama atenção por um motivo importante.
Nem toda Castanha-do-Brasil exportada pelo Brasil passa por processamento industrial antes de deixar o país.
Existem duas classificações fiscais distintas para esse produto.
A primeira é a NCM 0801.21.00, utilizada para a Castanha-do-Brasil com casca. Nesse caso, normalmente trata-se da exportação da matéria-prima, que posteriormente será beneficiada em outro país.
A segunda é a NCM 0801.22.00, utilizada para a Castanha-do-Brasil sem casca, produto que já passou por todo o processo industrial no Brasil.
Essa etapa inclui quebra, secagem, classificação por tamanho, seleção eletrônica, controle de qualidade, rastreabilidade, certificações e preparação para atender aos mercados internacionais mais exigentes.
Na prática, isso significa que a maior parte do valor econômico permanece na região onde ocorre o beneficiamento, gerando empregos, renda, arrecadação e desenvolvimento local.
Um estudo baseado exclusivamente em dados oficiais
O levantamento também trouxe um importante desafio metodológico.
A base pública do Governo Federal que apresenta os municípios exportadores utiliza a classificação SH4 0801, que reúne diferentes produtos, como coco, castanha de caju e Castanha-do-Brasil.
Isso faz com que municípios do Nordeste, por exemplo, apareçam entre os maiores exportadores desse grupo devido à forte participação da castanha de caju e do coco, e não necessariamente da Castanha-do-Brasil.
Para evitar interpretações equivocadas, foi desenvolvida uma metodologia de cruzamento entre três bases oficiais do MDIC:
Exportações da NCM 0801.21.00 (Castanha-do-Brasil com casca);
Exportações da NCM 0801.22.00 (Castanha-do-Brasil sem casca);
Base oficial de exportações por município (SH4 0801).
Esse cruzamento permitiu separar a exportação de matéria-prima da exportação do produto industrializado, proporcionando uma visão muito mais precisa sobre onde está concentrada a geração de valor dentro da cadeia produtiva.
Jaru passa a representar um novo momento da economia florestal
Os resultados mostram que Jaru não se destaca apenas pela produção ou comercialização da Castanha-do-Brasil.
O município passa a ser reconhecido pela capacidade de transformar um produto da floresta em alimento industrializado, pronto para abastecer mercados internacionais.
Essa transformação representa um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, baseado na agregação de valor na origem, na geração de empregos qualificados, na industrialização regional e na ampliação da competitividade brasileira no mercado internacional.
Castanhas Ouro Verde impulsiona esse protagonismo
Esse desempenho acompanha a evolução da Castanhas Ouro Verde, agroindústria instalada em Jaru e especializada no beneficiamento e exportação de Castanha-do-Brasil.
Nos últimos anos, a empresa investiu na ampliação da capacidade industrial, em certificações internacionais, em sistemas de rastreabilidade e em tecnologia voltada à segurança de alimentos, permitindo que produtos industrializados em Rondônia alcancem mercados em diferentes continentes.
A presença dessa estrutura industrial fortalece o posicionamento de Jaru como um importante polo brasileiro da Castanha-do-Brasil beneficiada e demonstra o potencial do município para agregar valor aos recursos da floresta antes que deixem o país.
Desenvolvimento que permanece na região
Enquanto a exportação da Castanha-do-Brasil com casca transfere parte do processamento para outros países, a exportação da Castanha-do-Brasil sem casca mantém essa riqueza dentro da Amazônia.
Isso significa mais empregos industriais, maior arrecadação tributária, fortalecimento da economia regional e valorização do trabalho desenvolvido por produtores, colaboradores e empresas instaladas em Rondônia.
Mais do que exportar um produto, Jaru demonstra que é possível exportar tecnologia, qualidade, segurança de alimentos e desenvolvimento.
Um marco para Rondônia
O levantamento reforça que Rondônia vem consolidando uma nova posição na cadeia produtiva da Castanha-do-Brasil.
Ao invés de participar apenas como fornecedora de matéria-prima, o estado amplia sua presença na exportação de produtos industrializados, atendendo mercados internacionais que exigem elevados padrões de qualidade, certificação e rastreabilidade.
Nesse contexto, Jaru desponta como um dos principais símbolos desse processo de industrialização da bioeconomia amazônica.
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)
COMEX Stat – Estatísticas Oficiais do Comércio Exterior Brasileiro
Base Oficial de Exportações – NCM 0801.21.00
Base Oficial de Exportações – NCM 0801.22.00
Base Oficial de Exportações por Município (SH4 0801).






































































